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PANCREATITE, Evolução e acompanhamento das enzimas pancreáticas

A Pancreatite Aguda é um processo inflamatório agudo do pâncreas com envolvimento variável de outros tecidos regionais ou acometimento sistêmico. Pode ou não estar acompanhada de disfunção orgânica importante e/ou presença de complicações locais como necrose, abscesso ou pseudocistos. O diagnóstico de pancreatite aguda habitualmente é feito pelo quadro clínico de dor no andar superior do abdome, aumento dos níveis séricos de amilase e/ou lipase e confirmado por achados sugestivos em exames de imagem, como ao ultra-som ou tomografia computadorizada de abdome.


Observa-se que os níveis de elevação das enzimas pancreáticas, amilase e lipase não necessariamente têm relação com a gravidade da pancreatite. Além disso, existem peculiaridades no que diz respeito à elevação desses exames laboratoriais em relação ao momento do diagnóstico e inicio da apresentação clinica do paciente.
A hiperamilasemia é o marcador clássico da pancreatite. Tem alta sensibilidade, porém baixa especificidade. Eleva-se entre 2 a 12 horas do início do processo inflamatório pancreático, com uma meia-vida de cerca de 10 horas apenas. Em casos de pancreatite aguda, ela permanece elevada de 3 a 5 dias. Entretanto, sabemos que existem certas condições que causam pancreatite com amilase normal, como a causada por hipertrigliceridemia e a pancreatite alcoólica crónica agudizada.
Existem ainda situações onde há hiperamilasemia sem patologia subjacente como na macroamilasemia e doenças não relacionadas ao pâncreas. Elas cursam com elevação de amilase como no caso da parotidite epidêmica (caxumba), em que existe a elevação da amilase salivar, uma isoamilase de origem não-pancreática. Contudo, a concentração sérica da amilase na pancreatite aguda é geralmente superior a 3-5 vezes o limite superior da normalidade, o que, via de regra, não ocorre nas demais condições que cursam com hiperamilasemia.
Outro marcador importante no diagnóstico de pancreatite aguda é a dosagem sérica de lipase. Esta dosagem possui maior especificidade, elevando-se de 4-8 horas após o início dos sintomas, com pico entre 24-48 horas da abertura do quadro clínico do paciente. Diferentemente do que acontece com a amilase, os níveis de lipase se mantém elevados por 10-14 dias do quadro, tendo especial valia para o diagnóstico de abdome agudo inflamatório devido a pancreatite aguda em pacientes que por algum motivo demoraram mais tempo para avaliação do serviço de saúde.
Desse modo, percebemos que os níveis de amilase e lipase são fundamentais para o diagnóstico e acompanhamento do paciente com esta causa de abdome agudo inflamatório, além de que a percepção do tempo de início do quadro clinico tem importante relação quanto aos níveis das enzimas pancreáticas. Esse conhecimento é essencial para que não haja armadilhas edificuldades no diagnóstico da pancreatite aguda.

(*) Nayane Bezerra Sales Pereira é Farmacêutica Bioquímica / Responsável Técnica LEG - Serviços de Laboratório Dr. Edilson Gurgel na Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza CRF/CE 4872 -  (85) 96236677