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Na especialização, o máximo de conteúdo


Passada a euforia da graduação, o médico recém-formado logo constata que o conhecimento que adquiriu ao longo de seis arrastados anos de curso superior só o leva a meramente arranhar a superfície da miríade de entidades patológicas com a qual se deparará em sua vida profissional.

É justamente para evitar ser mais um na multidão que a maioria de nós toma uma decisão árdua: a de reduzir o seu espectro de atuação a um universo mais restrito da arte hipocrática.
É ponto pacífico que a melhor forma de concentrar-se é através da residência médica, tornando-se praticamente impossível exercer adequadamente algumas áreas sem que a imersão por dois, três, quatro ou cinco anos seja cumprida. A cirurgia de cabeça e pescoço, especialidade estrela deste artigo, não é exceção. Durante o curso médico, é endêmico que ela seja relegada a segundo plano, quando muito, ofertada como disciplina optativa. Esse fator gera desconhecimento da própria amplitude da especialidade e dificuldades por parte do generalista em iniciar corretamente a propedêutica de casos de doenças desta área. Por conta disso e pelo fato de que os tumores cérvico-faciais atingem, em sua maioria, uma parcela social e culturalmente frágil da população, o cirurgião de cabeça e pescoço ocupa um nicho de atuação de grande importância.
Nos dois anos em que é vivida a cirurgia de cabeça e pescoço, os residentes são apresentados a inúmeras histórias de vida, radicalmente modificadas pela introdução de uma doença grave e com um potencial estigmatizante altíssimo, seja pelo curso natural da entidade ou pelo tratamento. O ambiente acadêmico da residência médica torna-se extremamente propício à aquisição de habilidades e conhecimentos, oriundos de mestres que já trilharam este e outros caminhos.
Atualmente, o Conselho Federal de Medicina conta com pouco mais de 600 especialistas nesta área em seus cadastros, dos quais apenas 26 estão em situação ativa no Ceará.  Estudos realizados no INCA mostram que, somente em nosso Estado, são diagnosticados anualmente cerca de 1100 novos casos de câncer de cabeça e pescoço, excluindo-se os cânceres de pele. Uma conta matemática simples nos revela que cada especialista cearense entrará em contato com pelo menos 40 pacientes por ano necessitando de seus cuidados. Some-se a isso o fato de que há subnotificação dessas afecções, de que foram excluídos desses estudos os tumores de pele, de que há também doenças benignas e que os pacientes tratados precisam ser acompanhados, e teremos um vislumbre da relevância da cirurgia de cabeça e pescoço para a promoção de saúde.
Do exposto, concluímos que a residência em cirurgia de cabeça e pescoço é um indispensável baluarte de formação de especialistas cuidadores da vida, que em muito influenciarão a vida de seus pacientes. O médico residente logo percebe quão sábias e corretas são as palavras proferidas há 300 anos por Isaac Newton: “Se vi mais longe, foi por estar de pé sobre os ombros de gigantes”.

 

Dr. Francisco Miguel de Lima Junior CRM. 13352
Residente de Cirurgia de Cabeça e Pescoço